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Resenha: Isla e o Final Feliz

 Eu estava louca por esse terceiro livro da “série” das meninas queridas da Stephanie Perkins. Coloquei entre aspas porque não há ordem correta para ler Anna e o Beijo Francês, Lola e o Garoto da Casa ao Lado e Isla e o Final Feliz, mas recomendo que o faça na ordem que falei aqui – e que foram publicados – se não quer saber spoilers sobre alguns personagens.
 Stephanie tem o talento natural de escrever histórias simples, mas extremamente cativantes e com personagens reais. É muito fácil mergulhar nas palavras da autora, esquecendo o que acontece ao seu redor e dessa vez não foi diferente, apesar de que Anna e o Beijo Francês continua sendo meu favorito.
A história
Isla nutre uma paixão por Josh desde que entrou na escola americana em Paris, mas sempre teve uma dificuldade imensa em puxar papo com ele por conta da sua timidez. Foi num dia em que ambos passavam as férias em Manhattan que uma conversa entre eles aconteceu. Isla havia acabado de retirar os sisos e estava sob efeito de alguns medicamentos – e, bem, um pouco dopada – quando viu Josh no mesmo lugar e acabou iniciando a conversa mais estranha.

A partir desse dia, as coisas mudam e sua paixão platônica acaba fazendo mais parte de sua vida do que ela jamais esperou. É muito bonito acompanhar, ao passar das páginas, o amadurecimento da relação dos dois enquanto enfrentam dificuldades angustiantes e sentem que é assim que a gente percebe que o amor pode, sim, superar esses obstáculos e crescer cada vez mais.

 Além disso, há também a participação dos personagens de Anna e o Beijo Francês e Lola e o Garoto da Casa ao Lado, o que é incrível e deixou meu coração quentinho, já que são todos amigos muito próximos.
Minha opinião
 Como já disse ali em cima, Stephanie Perkins tem o poder de transformar enredos simples em histórias cativantes. Os personagens são bem pensados, fazem jus às suas personalidades e as coisas não acontecem de modo forçado. Confesso que me irritei um pouco com Isla em alguns momentos, por ela insistir em não confiar no “próprio taco”, mas não posso negar que me identifiquei um pouco também – e essa insegurança é algo que não curto em mim -.

 Kurt, melhor amigo de Isla, está na vida dela desde sempre é bastante importante no desenvolver na história. Ele é um personagem sincero, leal e está sempre lá pela amiga. Algo que achei legal foi como a autora falou de um assunto sério de modo sutil: o autismo. Kurt é autista, mas isso não é o foco quando se trata dele, é um personagem como qualquer outro, porém, ao mesmo tempo, a gente se coloca no lugar de alguém que tem que lidar com essa característica.

 O livro pode ser meio devagar em certos momentos, porque acompanhamos o amadurecimento de um relacionamento adolescente, então as coisas demoram um pouco pra acontecer, mas acho esse um ponto positivo, apesar de tudo. Gosto muito de como é perceptível que o amor de Isla e Josh – não é spoiler, vai – não surgiu do nada. Tudo bem que ela já tinha uma queda por ele, mas a relação de ambos é construída e é bem bonito ver isso acontecer.

 Minhas partes favoritas foram, sem dúvida, aquelas que se passavam em Barcelona. Essa é uma das cidades que mais quero conhecer no mundo exatamente por causa da sua arquitetura e seu urbanismo, principalmente quando se trata das obras do arquiteto Antoni Gaudí, que são incríveis. Stephanie Perkins descreve algumas das mais famosas enquanto Isla as visita: a Casa Milà, a Sagrada Família e o Parc Güell. Fiquei babando como aluna de Arquitetura e admiradora de Gaudí, quem sabe um dia poderei ver tudo isso de perto também. Alguns lugares maravilhosos da cidade de Paris também são citados e esse foi mais um fato que amei, principalmente por ter passado por alguns deles em 2015, bateu uma saudade imensa.
 Esse é o outro ponto importante da história: ela se passa em três cidades diferentes, que são Paris, Barcelona e Nova York. Ou seja, muito amor. Resumindo, Isla e o Final Feliz mostra pra gente o amadurecimento de um relacionamento e as dificuldades pelas quais estamos sujeitos a passar, mas que acabam mostrando pra gente que dá pra superar se há amor e companheirismo. 

Ei! Não esquece que seu comentário é muito importante, viu? É uma forma de saber o que mais agrada - ou não - quem lê o blog, além de que adoro saber as opiniões de quem visita sobre o assunto falado. 

Resenha: O Palácio da Meia-Noite

(Essa resenha foi escrita em 14 de fevereiro, mas só percebi esse mês que não tinha postado ainda!)
 “Dito isso, permitam que eu diga que, além dos anos, esta velha colecionou histórias e nunca conheceu nenhuma que fosse tão triste e terrível como essa que vou contar e da qual, sem saber, vocês foram protagonistas por omissão até o dia de hoje...”
 Como quem acompanha o blog já sabe, Zafón é um autor que admiro demais e já escrevi resenhas de outros livros sensacionais dele por aqui. O Palácio da Meia-Noite foi um presente repentino de uma tia que tinha comprado o livro pra si e, pra minha felicidade, acabou me dando. Ele, junto com O Príncipe da Névoa, As Luzes de Setembro e Marina - <3 -, faz parte de uma série de romances “juvenis” do autor. Mas calma, não é necessário ler em ordem, os livros são independentes. O Palácio da Meia-Noite conseguiu me fisgar e me fazer devorar a história por conta da curiosidade que causou.
A história
 O cenário é Calcutá, na Índia, ano de 1932. Os membros da Chowbar Society se reuniam no Palácio da Meia-Noite para sua última reunião como um grupo. Eles estavam prestes a completar 16 anos e, consequentemente, deveriam deixar o orfanato que foi sua casa e as pessoas que foram sua família por todo esse tempo.

 Para Ben, um dos membros desse grupo, essa idade representaria muito mais do que deixar seu lar. Naquela madrugada, Aryami Bosé, acompanhada de Sheere, sua neta, voltaria ao orfanato para conversar com o dono do local e avisar que a vida de um de seus meninos estava em perigo, porque um homem que havia esperado pela liberdade do mesmo durante todo esse tempo estava apto a capturá-lo.

Apesar de, como todos os outros órfãos, ter passado 16 anos da sua vida sem saber qual era a sua história, Ben, a partir daquele momento, descobre segredos em que nunca imaginaria estar envolvido. Com ajuda de seus amigos da Chowbar Society e Sheere, ele vai em busca das respostas e de um fim pra toda essa maldição que o aguardava.
Minha opinião
 Decidi contar a menor quantidade de coisas possível nessa resenha, até o que fica claro na própria sinopse do livro, porque li essa história sabendo absolutamente nada sobre ela e acho que a experiência é bem prazerosa desse jeito. O enredo envolve MUITO mais mistério do que parece pelo que escrevi, mas quis dar o gostinho de descobrir tudo por conta própria pra vocês.

 Gostei muito de, dessa vez, a história se passar em um cenário bem diferente: Calcutá. Gosto de como Zafón descreve locais e os utiliza como personagens da história, como fez com o Palácio da Meia-Noite, local de encontro dos jovens.

 Novamente, me impressionei com a criatividade do autor e a capacidade de criar mistérios impressionantes, enredos mirabolantes e personagens com gostinho de gente de verdade. Sabe aquela atmosfera de terror, mas nada apelador, que eu sempre falo que os livros dele passam? Pois é, eu me arrepiava em alguns momentos com as cenas, mas era um medo divertido – deixo claro que odeio filmes de terror -, que causava curiosidade.
 Me confundi em alguns momentos com a quantidade de personagens e seus nomes diferentes, porém, isso não me impediu de curtir muito a leitura. Zafón criou um vilão, realmente, odiável e com reviravoltas que eu não esperava, como ele sempre faz.

 Confesso que, mais pro fim do livro, achei que houve um pouco de enrolação e eu já não aguentava mais de curiosidade pra saber onde tudo aquilo daria, então eu acho que algumas páginas poderiam ter sido eliminadas. Gosto muito de como a Suma de Letras teve a preocupação em fazer os livros do autor conversarem entre si no sentido da capa, paleta de cores, fonte... E, novamente, a capa de O Palácio da Meia-Noite diz muito sobre a história, combina.

 A escrita dele é impecável, muito poética, uma das minhas maiores inspirações. Ai, como eu gostaria de sentar pra conversar com Zafón um dia e fazer um milhão de perguntas. Entre elas, alguns conselhos sobre escrita, hehe. O meu preferido do autor continua sendo Marina, mas O Palácio da Meia-Noite conseguiu minha atenção mesmo assim.

“É que nada é tão difícil de acreditar quanto a verdade e, ao contrário, nada é tão sedutor quanto a força da mentira, quanto maior for o seu peso.
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Resenha: O Fantasma de Canterville e Outros Contos de Oscar Wilde

Resenha: Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres


Resenha: O Curioso Caso de Benjamin Button


 Desde que descobri que Fitzgerald havia escrito, além de O Grande Gatsby – uma obra que adoro -, O Curioso Caso de Benjamin Button, coloquei na minha cabeça que tinha que ler essa história. Já tinha visto o filme quando descobri e já sabia que a história era extremamente interessante, mas queria entrar de novo nesse mundo pelas palavras do autor.

 Muito felizmente, acabou de sair uma nova Coleção Folha de Grandes Nomes da Literatura e a tal obra que quero ler há tanto tempo estava entre os primeiros volumes. Logo que saiu, corri pra bancas e adquiri o meu livro cuja edição, aliás, está LINDA. Li no dia seguinte e curti muito, pena que é um conto tão breve, de pouquíssimas páginas, fiquei desejando mais.
A história

 Os jovens Sr. e Sra. Button eram um casal da alta sociedade e se preparavam para ter seu primeiro filho. Colocavam todas as suas expectativas na criança e imaginavam um milhão de coisas pra que a mesma tivesse um futuro promissor. Mas a vida resolveu surpreendê-los um pouco e, ao chegar no hospital para visitar sua mulher e o bebê, o Sr. Roger Button foi recebido com olhares de pavor. Só quando viu seu filho com os próprios olhos que entendeu: ele era um senhor de idade.

“Os olhos do Sr. Button acompanharam o dedo apontado da mulher, e eis agora o que ele viu. Enrolado num volumoso cobertor branco, e parcialmente imprensado dentro de um dos berços, estava um velho que aparentava ter cerca de setenta anos de idade. O cabelo ralo era quase branco, e de seu queixo pingava uma longa barba de cor esfumaçada, a qual oscilava absurdamente para lá e para cá, soprada pela brisa que entrava pela janela.”

 Ao longo dos anos, ao contrário de todos a sua volta, Benjamin Button ficava mais jovem e é a partir dessa peculiaridade que Fitzgerald desenvolve seu conto e critica a obsessão da sociedade pela juventude eterna.

Minha opinião

 A única crítica que tenho a esse conto é seu tamanho, são só 50 páginas de história. É tão, tão curto que nem vi quando terminou, fiquei desejando mais. A ideia de Fitzgerald é muito boa e original, mas gostaria que ele tivesse desenvolvido mais e detalhado mais momentos, poderia ser um livro enorme – assim como o filme, que é um milhão de vezes mais longo -.

 Adoro como o autor faz críticas sutis, como em O Grande Gatsby. Dessa vez, ele critica toda a obsessão das pessoas pela juventude e como as mesmas acabam perdendo seu valor a partir do momento em que envelhecem. Fitzgerald não se preocupa muito em explicar por que ou como esse fenômeno aconteceu, nem, ao menos, como uma mulher conseguiu dar a luz a uma pessoa muito maior do que um bebê. Mas isso não me incomodou.


 Quanto ao filme, eles só se basearam na ideia de Fitzgerald, porque é completamente diferente, desde o início a tudo o que eles acrescentaram. Mas eu gosto da adaptação, apesar de longa até demais. Digamos que senti que, apesar de ainda ter um toque de drama, o livro acaba sendo mais “cômico” do que o filme.

 Eu fiquei completamente encantada pela edição que a Folha publicou. É LINDA, de capa dura, incrível e aquarelada. As páginas são amareladas e contam com um extra, que fala um pouco da coleção. Podem esperar por muitas resenhas de clássicos por aqui, porque, se depender de mim, irei atrás de todos dessa coleção.

Os dois primeiros livros da Coleção. Clique aqui para saber mais.

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Resenha: O País do Carnaval #AmandoJorge


Primeiro, uma breve introdução: perdão pelo sumiço no blog. Tava num dilema, desanimada e agora me embolei toda com a faculdade e me atolei de trabalhos, foi por isso. Mas pretendo voltar aos poucos!

“Garotos passavam, apregoando os jornais da tarde: ‘ Noite, olha o Globo, Diário...’ ‘Diário, Noite, Globo.’ ‘O discurso do deputado Francis Ribeiro. A campanha presidencial. O Carnaval que vem aí... O Carnaval... Noite...’
Na rua a multidão acotovelava-se numa grande alegria. Entulhava as casas de negócios comprando fazendas e enfeites. Era o Carnaval que se aproximava.
Rigger disse:
- O Brasil é o país do carnaval.
José Augusto acrescentou:
- E dos grandes homens! E dos grandes homens...”

 Primeiríssimo post oficial do #AmandoJorge aqui no blog e espero que vocês estejam tão animados quanto eu! O País do Carnaval foi o primeiro livro escolhido exatamente por ter sido o primeiro de Jorge Amado, escrito aos seus 18 anos, cuja primeira edição foi publicada em 1931.

 Eu não sabia o que esperar dessa leitura, exatamente por não saber do que o livro se tratava, mas gostei muito da obra e foi mais um motivo para considerar Jorge um dos meus autores favoritos. Como ele disse: “Esse livro é um grito. Quase um pedido de socorro”.
A história

 Era 1931 e Paulo Rigger estava de volta ao Brasil, seu país de origem, depois de sete anos morando na Europa e estudando Direito. Ele foi recebido de volta com as multidões e efervescência do Carnaval, o que só colaborou com sua estranheza ao voltar ao seu país e não encontrar-se mais ali.


“Paulo Rigger andava na rua, ao léu. Sentia-se um estranho na sua pátria. Achava tudo diferente... Se aquilo lhe acontecia no Rio, que seria na Bahia, para onde iria residir em companhia da sua velha mãe?... Poderia, conseguiria viver? E sentia uma grande nostalgia de Paris...”

 Já em Salvador, o jovem começa a frequentar um grupo de intelectuais e é aí que começamos a fazer parte das suas rodas de conversa, cujos temas são os mais diversos: política – o Brasil passava por várias transformações na época -, religião, literatura, filosofia, ética, amor. Com um sentimento de que o país estava cada vez mais incompreensível, os amigos reuniam-se e insistiam em procurar um sentido para a vida e o caminho que os levaria à felicidade.

“Ambos não estavam satisfeitos com a própria vida. Ambos sentiam a necessidade de algo que não sabiam o que fosse, algo que lhes faltava. Eles chegaram à conclusão de que se vive para qualquer coisa superior. Qual seria ela?”


 Nessas discussões, cada um compartilhava o que achava que seria esse tão desejado caminho: Ricardo Braz dizia que a felicidade estava no amor, Jerônimo Soares acreditava estar na religião, Paulo Rigger estava mais para o lado de Ricardo e José Lopes ficava na dúvida. Enquanto isso, Pedro Ticiano, cético, dizia que se deve viver por viver, não ficar à procura de coisa alguma.

 Entre diálogos bem elaborados e reflexivos, somos apresentados a algumas situações pelas quais os brasileiros passavam na época e à eterna busca desse grupo pelas respostas. 
Minha opinião

 O País do Carnaval pode parecer um livro pesado e cansativo por tudo que falei da história, mas senti que foi o contrário. Achei a leitura extremamente interessante, os diálogos muito bem elaborados e com reflexões até profundas e, outras, bem polêmicas. Eu tinha prazer em mergulhar na história. E de pensar que Jorge Amado escreveu essa obra com 18 anos de idade!

 O livro foca mais na vida de Paulo Rigger e conhecemos, também, alguns de seus romances. Ele não é o personagem mais amável do mundo, fica longe disso, mas esse fato não me fez querer deixar o livro de lado, foi uma experiência bem curiosa.


 O título se encaixa muito bem no contexto: é citado, muitas vezes, o papel que o Carnaval tem de “pão e circo” no Brasil, e a frase “O País do Carnaval” é usada, muitas vezes, como expressão.

“- País do Carnaval! País do Carnaval! Eu se fosse presidente ou ditador, decretaria um Carnaval de 365 dias... Adorar-me-iam...”

 Pra variar, é mais um livro de Jorge que recomendo muito, apesar de não ser para todos os gostos exatamente pela quantidade de diálogos e momentos reflexivos. E sobre a edição: preciso mesmo comentar? Sou completamente apaixonada pela coleção de livros do autor publicada pela Companhia das Letras, eles fizeram um trabalho impecável, em todos os sentidos. Como de costume, o livro vem com alguns extras e comentários, incluindo alguns do próprio Jorge.


“- Eu sei, Ticiano, que você achou a solução do problema. Por que você a guarda tão avaramente? Por que não no-la ensina?
- Eu tenho dito tantas vezes! A solução é não querer solucionar...”


“- Coitado! Talvez seja infeliz. Talvez seja feliz. Que tente. Sempre é uma grande coisa poder tentar ser feliz. Eu nem isso fiz, imbecil que fui...”


Se você quer participar do projeto também, fique à vontade! Clique na imagem acima pra saber mais, incluindo o cronograma de leituras. Vamos adorar sua companhia. Só não esquece de usar #AmandoJorge pra ajudar a divulgar o projeto!

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Resenha: Queria Ver Você Feliz


“O fato é que eu poderia contar qualquer história de amor, mas se hoje minha memória anda as voltas com esta, de Caio e Maria Augusta, culpo quem abriu um certo baú florido onde estavam guardados cartões, bilhetes, retratos e cartas.”

 Esse livro já estava, há algum tempo, na minha lista de desejados, mas não lembrava uma coisinha sequer da história semana passada, quando comprei. Aproveito e dou uma dica pra vocês: sempre que estiverem no shopping, passem nas Lojas Americanas e deem uma olhada na parte de livros, sempre tem um livro muito bom por um preço ainda melhor. Esse aqui, cuja edição é lindíssima – e não é econômica -, eu comprei por 9,99! Assim como O Presente do Meu Grande Amor, que consegui pelo mesmo preço.

 Voltando ao assunto: não sabia o que esperar, já que não lembrava o que havia lido sobre ele. Mas o livro me surpreendeu muito, é lindíssimo, perfeitamente bem escrito e dá pra ver que foi feito com muito amor.

A história

 O ano é lá pro fim de 1940, no Rio de Janeiro. Caio ainda era um garoto, assim como Maria Augusta e um não tinha consciência da feliz existência do outro, até o dia em que seus olhares se cruzaram e tudo ficou diferente.

 Essa pode parecer a história mais clichê do mundo, mas é aí que você se engana. Quem narra toda essa trajetória de Caio e Maria Augusta é aquele que já fez você, eu, todo mundo sofrer ou, então, ficar mais feliz do que nunca: o amor.

“Não tenho sexo. Não tenho corpo. Não sou mortal nem imortal, visto que morro mas renasço, e volto a morrer e renascer até o infinito. Sou um teimoso. Há quem tente me prender, há quem tente me entender, há quem tente me explicar, nada disso é muito fácil.
Arrisco afirmar que você me conhece bem.”

 Através de cartas e bilhetes trocados entre o casal intermediados por momentos de narração, acompanhamos a história dos dois desde jovens e vemos o sentimento crescer cada vez mais. 

 Como qualquer pessoa, ambos passam por momentos difíceis, tanto de luto quanto de conflitos e isso faz a gente se apegar ainda mais, principalmente por ser uma história real. Sim! Adriana Falcão – a autora – é uma das filhas de Caio e Maria Augusta e resolveu escrever essa história sobre a vida de seus pais, utilizando como base essas cartas e bilhetes e narrando tudo de modo encantador, poético. É emocionante descobrir que esse livro foi uma "simples" homenagem de uma filha.

Minha opinião

 Logo que comecei a leitura, fiquei apaixonada pela escrita de Adriana Falcão. Me fez engolir o livro, é muito difícil parar, principalmente pelo humor do narrador e pelo interessante fato do mesmo ser o próprio Amor.

“Eu? Doentio? Doentia é a raça humana.
Não quero ofender ninguém, mas também não me ofendam. Sou sentimento sublime. Posso ser largo, livre, alegre. Não exerço domínio absoluto sobre quem ama. E tem mais: nem todo coração tem a honra de me receber, não bato em qualquer porta, sou seletivo.
Uma dica para quem tiver a sorte de me encontrar: me tome como uma flor. Então, aproveite.”

 É emocionante ler essa história, tanto porque é lindo acompanhar a trajetória de um casal quanto porque você passa a torcer por eles e sofre junto nos momentos difíceis – e quantos momentos difíceis! -, é difícil não se abalar.

 A leitura fica ainda mais fluida e rápida por conta de todos os bilhetes, cartas e fotos que ele contém. Tudo isso torna a leitura ainda mais realista e divertida, é muito curioso. E o que dizer dessa capa e do título? Resumem muito bem o que você vai encontrar entre as páginas, esse livro é lindo em todos os sentidos.


 Outra coisa interessante é quando acompanhamos o nascimento das filhas de Adriana Falcão – isso não é spoiler, né? Haha – e ela cita a mais nova: Clarice. Foi aí que eu me toquei... Clarice Falcão é filha de Adriana Falcão? E sim, é, o que deixa tudo ainda mais legal. Até porque a moça fez um vídeo cantando uma música linda que era a trilha sonora de Caio e Maria Augusta, seus avós:



 Queria Ver Você é Feliz é lindíssimo, leve – apesar dos momentos de drama – e inspirador. A edição é incrível, faz jus ao conteúdo e eu recomendo pra todos vocês, acho difícil não se encantar.


“Uma das coisas que mais me atraem nas pessoas é essa mania de superestimar os próprios sentimentos. E complicar. E se perder no meio de suposições opostas. Mesmo as pessoas que têm por filosofia não se levar tão a sério muitas vezes caem nessa armadilha.”

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Resenha: James and the Giant Peach



 O meu projeto de ler todos os livros de Roald Dahl continua a todo vapor e, cada vez mais, ele se torna um autor muito querido pra mim. Os filmes baseados em seus livros – leia a resenha de Matilda e Charlie and the Chocolate Factory – marcaram completamente a minha infância e James and the Giant Peach – ou James e o Pêssego Gigante – foi um deles. Assisti um milhão de vezes com meu irmão, me causa uma nostalgia gostosa. Já não lembro muito da história, então li sem saber o que aconteceria, foi uma ótima experiência e senti saudade de certa época da minha vida.
A história
 James Henry Trotter era um menino muito, muito feliz que vivia com seus pais numa casa pertinho do mar. Pra seu azar, essa vida quase perfeita não durou tanto quanto gostaria. Aos quatro anos, ele perdeu seus pais para um acontecimento terrível: ambos foram engolidos por um rinoceronte que fugira do zoológico de Londres.

 A tão amada casa em que vivia teve que ser vendida imediatamente e o garoto precisou ir morar com suas tias: Aunt Sponge e Aunt Spiker, duas mulheres extremamente egoístas e odiáveis.

 A vida de James passou a ser sem graça, solitária. Ele não podia, ao menos, encontrar outras crianças pra brincar ou descer o enorme morro em que a casa, isolada, estava localizada. Foi aí que depois de anos, finalmente, algo de interessante aconteceu com ele.

“After James Henry Trotter had been living with his aunts for three whole years there came a morning when something rather peculiar happened to him. And this thing, which as I say was only rather peculiar, soon caused a second thing to happen which was very peculiar: And then the very peculiar thing, in its own turn, caused a really fantastically peculiar thing to occur.”*


 Depois de correr para bem longe de suas tias por ter sofrido uma ameaça, James chorou e chorou escondido num jardim. Pra sua surpresa, um pequeno senhor surgiu detrás dos arbustos e ofereceu ao garoto pedrinhas verdes e brilhantes que, segundo ele, tinham um grandessíssimo poder.

“’There’s more power and magic in those things in there than in all the rest of the world put together’, the old man said softly.”**

 O senhor prometeu que, se James fizesse tudo o que ele dissera, sua vida mudaria completamente e coisas inacreditáveis aconteceriam. O garoto, nada bobo, seguiu os conselhos, mas acabou causando um pequeno – não tão pequeno assim – acidente que acabaria envolvendo um pêssego gigante, suas tias interesseiras e muitos insetos. Pois é, mas isso faz todo o sentido na história.

Minha opinião
 As histórias de Roald Dahl não cansam de me encantar. Ele tinha o dom em criar as situações mais doidas e divertidas que, ao mesmo tempo, trazem lições de moral e agradam quem quer que seja. Mesmo James and the Giant Peach não sendo meu livro favorito do autor, gostei bastante e a leitura foi super rápida. O inglês, novamente, é bem tranquilo e a escrita é fluida.

 James é um personagem muito amável, dá uma vontade de entrar no livro e arrancá-lo das mãos daquelas tias tão rudes, é de partir o coração mesmo. Os insetos, personagens secundários da história, têm um papel bem importante e cada um tem sua característica forte e nos ensina algo – no caso, sobre amizade e trabalho em grupo -.


 Roald Dahl chega a citar um elemento de outro livro seu que amo entre as páginas de James and the Giant Peach: a fábrica de chocolate Wonka de Charlie and the Chocolate Factory. Fiquei feliz com a surpresa, o que deu a entender que os personagens de ambos os livros vivem na mesma cidade.

 As ilustrações são, novamente, de Quentin Blake e têm um traço engraçado, meio rabiscado. Elas aparecem em várias páginas e ajudam a história a ficar ainda mais dinâmica e divertida.


 Eu curti o desfecho do livro, houve toda aquela tensão antes das coisas se ajeitarem e cada um teve o fim que mereceu. Como nos seus outros livros que já resenhei, o autor coloca algumas canções como as próprias falas dos personagens. Isso eu já não gosto muito, porque a maioria delas é longa demais, mas nada que me faça adorar menos Roald Dahl.
A adaptação
James and the Giant Peach – ou James e o Pêssego Gigante – ganhou uma adaptação para os cinemas em 1996, com direção de Henry Selick e produção de Tim Burton. O filme é uma mistura de stop-motion – sabe aquela sensação de que o filme é em 3D? Então, onde tudo é feito de massinha – e live action, o que eu adoro.

 Achei que, quando assistisse de novo, lembraria de tudo, mas me enganei. Parece que não vi tantas vezes quanto pensava, mas senti certa nostalgia mesmo assim e amei a adaptação. É bem fiel ao livro, apesar de ter algumas partes diferentes – como alguns momentos do final – e tem muitas canções iguais às escritas por Roald Dahl, ou seja, é um musical. Recomendo demais, tanto o filme quanto o livro, independente da idade que você, leitor, tenha.

Tradução aproximada:
*"Depois de James Henry Trotter estar vivendo com suas tias por três anos completos, veio uma manhã em que algo um pouco peculiar aconteceu com ele. E essa coisa que, como eu falei, foi só um pouco peculiar, logo causou uma segunda coisa que era muito peculiar: e, depois, a coisa muito peculiar, por sua vez, causou uma coisa peculiar realmente fantástica."
**"'Há mais poder e mágica nessas coisas aí do que em todo o resto do mundo colocado junto', disse o velho senhor, calmamente."

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Resenha: Coraline


 “’I’ll read the leaves if you want,’ said Miss Spink to Coraline.
‘Sorry?’ said Coraline.
‘The tea leaves, dear. I’ll read your future.’
Coraline passed Miss Spink her cup. Miss Spink peered shortsightedly at the black tea leaves in the bottom. She pursed her lips.
‘You know, Coraline,’ she said, after a while, ‘you’re in terrible danger.”*

 Coraline já fazia parte da minha lista de animações favoritas há um bom tempo e, quando descobri que era baseada em um livro, surgiu a vontade de ler a versão original. O tempo foi passando e, desde que li algo do Neil Gaiman pela primeira vez – no ano passado -, me convenci de que estava na hora de comprar o livro, sem enrolação. Demorei, mas encontrei a versão em inglês na Livraria Cultura e não resisti, apesar de que queria uma edição maravilhosa de capa dura. O livro me deixou ainda mais encantada e essa história fantástica não sai mais da minha cabeça, se tornou um favorito.
A história
 Coraline Jones havia acabado de se mudar, com seus pais, para uma casa muito velha e muito grande. Tão grande que era dividida em quatro “apartamentos”, dois deles – além daquele adquirido pela família da menina - estavam ocupados: um, por duas senhoras que já haviam sido atrizes e, agora, moravam rodeadas de cachorros. O outro, por um senhor meio louco que dizia estar adestrando um circo de ratos. Todos eles chamavam Coraline de “Caroline” e ela não gostava um pouquinho sequer disso.

 Os pais da garota não eram lá muito presentes, estavam sempre ocupados trabalhando em seus computadores e ela acabava ficando entediada. Depois de ler todos os seus livros, ver todos os programas de televisão possíveis, Coraline – por sugestão de seu pai – resolveu explorar a casa. Foi aí que ela encontrou, em um dos quartos, uma porta que dava para uma parede de tijolos.

“Her mother was right. The door didn’t go anywhere. It opened onto a brick wall.
‘When this place was just one house,’ said Coraline’s mother, ‘that door went somewhere. When they turned the house into flats, they simply bricked it up. The other side is the empty flat on the other side of the house, the one that’s still for sale.’
She shut the door and put the string of keys back on top of the kitchen doorframe.
‘You didn’t lock it.’, said Coraline.
Her mother shrugged. ‘Why should I lock it?’ she asked. ‘It doesn’t go anywhere.’

Coraline didn’t say anything.”**


 Aproveitando um dia em que sua mãe não estava em casa e intrigada com a tal porta, Coraline resolveu abri-la de novo. Mas, dessa vez, a parede de tijolos havia sumido e a menina deu de cara com um corredor escuro, que terminava num lugar idêntico ao que estava morando agora. Aos poucos, ela percebeu a diferença: tudo parecia perfeito demais por ali. A comida era maravilhosa, as pessoas não a chamavam de “Caroline” e seus pais eram os mais atenciosos possíveis. Bem, o mais estranho era o fato de que eles possuíam botões pretos no lugar dos olhos e pareciam querer um pouco mais do que, simplesmente, agradá-la.

Minha opinião
 Mais uma vez, Neil Gaiman não me decepcionou. Esse foi o terceiro livro que li dele – além dos três livros, já li uma graphic novel e dois contos – e ainda pretendo ler todos lançados, porque esse autor é incrível. Ele mostrou, novamente, ter talento para criar histórias originais e com um terror digno, bem pensado – sabe o que eu sempre falo sobre o terror do Carlos Ruiz Zafón? Pois é, Neil Gaiman possui esse mesmo estilo de terror na medida certa -.

 O enredo me conquistou completamente. De novo, fiquei pensando: “por que não tive essa ideia antes?”. Tem toda aquela atmosfera fantasiosa, de mundos paralelos, sabe? Eu adoro esse tipo de coisa, sem contar com o terror inteligente. Não sou fã de filmes desse gênero, mas gosto de livros assim, principalmente quando se trata do Neil Gaiman como escritor.

Coraline é uma personagem incrível, extremamente corajosa e fiel àqueles que ama, ela se tornou uma favorita na minha lista. Aprendi muito sobre coragem com ela e já vi que esse livro vai ser tipo Pollyanna na minha vida: sempre que passar por alguma situação difícil, vou pensar em como Coraline lidaria com isso. Uma das coisas que mais me marcou, foi como o medo é tratado como algo importante na história. O pai da garota a ensinou - e me ensinou também, nunca vou esquecer isso – que ter coragem é fazer algo de que você tem medo, não fazer esse algo sem medo algum.

 Todos os personagens são bem caracterizados, o que faz você lembrar de cada um deles. O gato falante que Coraline acaba conhecendo é bem importante pra história também, além de muitos outros bem peculiares que ela acaba conhecendo durante sua jornada.


 A minha edição não é exatamente como eu queria, mas ainda pretendo comprar uma de capa dura. A que tenho é sem orelhas – paperback – e tem aquele papel que lembra jornal, por isso o livro é muito leve. O que gostei dessa edição foi o Q&A com Neil Gaiman e algumas informações especiais, por ser uma comemoração aos 10 anos da história. Não posso esquecer das ilustrações de Dave McKean, elas colaboraram demais pra deixar a história ainda mais bizarra.


Duas fotos parecidas só pra vocês repararem que, quando bate luz na capa, aparecem 
algumas mãos e achei isso sensacional. Tem isso na capa inteira, mas mostrei só uma parte:


 Esse livro foi pensado, na verdade, para crianças. Mas eu recomendo, imensamente, a qualquer pessoa de qualquer idade. É uma leitura inesquecível.

A adaptação

 Em 2009, um filme de Coraline foi lançado com direção de Henry Selick. Vi o filme há alguns anos e fiquei muito encantada, acho o estilo dele incrível, é tudo muito bonito e, claro, bizarro. Adoro como a Coraline é, fisicamente, um dia ainda terei uma bonequinha dela, hehe. Serei breve, mas é diferente do livro em algumas coisas: tem um personagem a mais, algumas cenas que não existem no livro e vice-e-versa, o final não é igual... Mas amo ambos, sendo que o livro me agradou ainda mais.

“’Because,’ she said, ‘when you’re scared but you still 
do it anyway, that’s brave.’”***

Traduções aproximadas:
*"'Eu leio as folhas, se você quiser.', disse Senhora Spink para Coraline.
'Desculpe?' disse Coraline.
'As folhas de chá, querida. Eu lerei seu futuro.'
Coraline passou sua xícara para Miss Spink. Miss Spink examinou as folhas do chá preto no fundo. Ela franziu os lábios. 
'Você sabe, Coraline,' ela disse, depois de um tempo, 'você está em extremo perigo.'"
**"Sua mãe estava certa. A porta não dava em lugar algum. Abria para uma parede de tijolos.
'Quando este lugar era só uma casa,' disse a mãe de Coraline, 'essa porta dava em algum lugar. Quando eles dividiram a casa, ele simplesmente a fecharam com tijolos. O outro lado é o apartamento vazio do outro lado da casa, o que ainda está à venda.'
Ela fechou a porta e colocou o molho de chaves de volta acima da moldura da porta.
'Você não trancou.', disse Coraline.
Sua mãe encolheu os ombros. 'Por que deveria trancar?' ela perguntou. 'Não dá em lugar algum.' 
Coraline não disse coisa alguma."
*** "'Porque,' ela disse, 'quando você está com medo, mas ainda faz do mesmo jeito, isso sim é ser corajoso."

Ei! Não esquece que seu comentário é muito importante, viu? É uma forma de saber o que mais agrada - ou não - quem lê o blog, além de que adoro saber as opiniões de quem visita sobre o assunto falado.